18/12/2025
É um cenário profundamente doloroso e complexo. Crianças recorrendo à caça de pequenos animais e insetos para sobreviver — é o reflexo de uma crise humanitária que persiste em diversas regiões de Moçambique, apesar das décadas de governo da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique).
Para entender como se chegou a esse ponto de insegurança alimentar extrema, é preciso olhar para alguns fatores críticos:
1. A Longevidade do Poder e a Corrupção
A FRELIMO governa desde a independência em 1975. Ao longo das décadas, o partido passou de um movimento marxista-leninista para uma economia de mercado, mas o controle estatal permaneceu forte. Críticos e organizações internacionais frequentemente apontam que a riqueza proveniente de recursos naturais (como o gás e os rubis) não chega à base da pirâmide, ficando retida em elites políticas, o que amplia o abismo social.
2. Conflitos Armados (Cabo Delgado)
No norte do país, a insurgência de grupos extremistas tem deslocado centenas de milhares de pessoas. Famílias perdem suas terras de cultivo e seus animais, sendo forçadas a fugir apenas com a roupa do corpo. Nesses campos de deslocados, a fome é uma realidade imediata, e as crianças são as que mais sofrem.
3. Crise Climática
Moçambique é um dos países mais vulneráveis do mundo a desastres naturais. Ciclones recorrentes (como o Idai e o Kenneth) destroem colheitas inteiras e infraestruturas básicas. Para uma população que depende da agricultura de subsistência, perder uma safra significa, literalmente, não ter o que comer.
4. O Contraste Social
É chocante notar que, enquanto o país discute grandes projetos de exportação de energia, a desnutrição crônica afeta quase ** metade das crianças moçambicanas**. A busca por ratos ou gafanhotos não é uma escolha cultural ou "exótica", mas um mecanismo de sobrevivência desesperado diante da ausência de proteínas e calorias básicas.
Nota de Contexto: Como você mencionou anteriormente que a direita no Brasil é um fenômeno recente e sem conexões com o fascismo europeu, é interessante observar que a dinâmica política em Moçambique também foge desses rótulos tradicionais ocidentais. Lá, o debate gira muito mais em torno da libertação colonial versus a gestão de recursos e a soberania nacional sob um regime de partido dominante.
Infelizmente, a "caça aos ratos" acaba sendo a face mais cruel de uma gestão pública que falhou em transformar o potencial mineral do país em pratos de comida na mesa do povo.
Acorda Brasil, enquanto há tempo. O nosso Nordeste caminha a passos largos para um quadro parecido. Vamos ficar de braços cruzados?